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12 de outubro de 2014

Fotos

Três meses em casa com você e muita coisa melhorou, você está mais carinhosa, tem dias tranquilos mas outros que a sua gritaria toma conta da casa. Tenho explicado que te amo, que quero que seja educada, que as pessoas gostem de você e que tem que obedecer, mas como é difícil. 

O seu questionamento não melhorou sobre onde está o seu pai. Você realmente não entende ou não aceita não ter pai como seus amiguinhos. Sua professora me falou chorando que você sentou no colo dela, pegou o celular em cima da mesa e disse que iria ligar para o seu pai, fiquei ali, ouvindo e choramos juntas. Por dias você fez isto, expliquei que ele está na estrelinha e não podia te responder, mas que ele te ama muito. Não fiz terapia, por falta de tempo, dinheiro e por não achar quem resolva. Mas conversei com duas amigas psicólogas e decidi seguir o conselho das duas. Uma me indicou contar tudo, não te deixar sofrer aos poucos, com histórias pela metade, deixar vivenciar porque já entendia, a outra falou que demora mesmo o processo e que iria perguntar várias vezes. Bom, uma manhã, poucos dias atrás, você pergunta "cadê meu pai", falei que iria te contar uma historia e você ficou muito interessada, me ajudou a pegar um álbum de fotos. Te mostrei as fotos do casamento, disse que o conheci, que namoramos e casamos, depois queríamos um bebê lindo e você nasceu da barriga da mamãe, que era muito amada, te contei desde o início para entender tudo. Você achou lindo o vestido de noiva, ficou olhando a foto dele, contei que foi muito triste o dia que ele morreu e foi para o céu. Para a minha surpresa você virou de uma vez e olhou para mim assustada, triste, mudou a fisionomia e tive a certeza que sim, você entende a morte (na sua visão de criança sabe que é algo triste), confirmei que foi um dia que chorei muito. Você ficou ali olhando tudo, depois desceu do meu colo, pegou as fotos e falou que iria mostrar para a Kika, nossa gatinha. Falou com ela, mostrou, depois pegou as fotos e colocou no chão, perguntei por que e respondeu que iria fazer um pic nic. Não sei se pensou que com a foto ali seria como se ele estivesse na sua brincadeira. Depois juntei tudo e perguntei se queria ficar com uma foto dele, lembrei do desenho da Lilo que ela guarda uma foto dos pais que morreram, mas você disse que não e que iria guardar, me ajudar e guardamos tudo.

Mas é como me falaram, você ainda iria continuar perguntando e umas duas vezes toda semana pergunta. Mas confesso que esta semana foi mais fácil, só não sei se foi depois que conversamos e contei tudo. Mas é tão difícil mesmo assim, percebi esta semana que quando oramos e falo 'papai do céu' você confunde com o seu! Ow Deus dê me sabedoria porque me falta nestas horas e em tantas outras.....

Tenho tentado me conter e não te dar muitos presentes, correr da sensação de muitas mães que trabalham e querem compensar a ausência com presentes, no meu caso quero te dar tudo para compensar a ausência dele, para você ficar feliz. Quando tive consciência deste meu sentimento, sabendo do estrago que é uma criança ganhar sempre muitos presentes e acostumar com este sentimento de felicidade momentânea a todo instante, paro na hora e digo não para mim. Resolvi então sair com você para passear mais e estamos fazendo isto :D


3 de agosto de 2014

Dia dos Pais

Novamente passaram muitos meses sem te escrever, está só aumentando o tempo de um texto para o outro e fico com medo de estar sofrendo menos ou esquecendo o seu pai, mas não, a correria é tão grande, me desmonto para dar conta de tudo. E novamente tentei voltar ao trabalho e não consegui, Tia Bela ajudou mas foram 3 meses sofridos acordando você 6h da manhã e chegando quase 21h da noite com você dormindo... e a culpa é tão grande, sofro por tudo o que faço, como faço e o que deixei de fazer. Um dia li que quando nos tornamos mãe a culpa nos segue para o resto da vida! Sei que não existe mãe perfeita, não serei, mas assim como muitas vou errar tentando acertar. 

Você ainda pergunta pelo o seu pai, parece que nenhuma resposta ainda satisfez o seu pouco ou muito entendimento. Fomos na casa da sua vó Vera e lá expliquei que ela era a mãe do seu papai, suas tias eram as irmãs dele. Você sentada no sofá da sala perguntou por ele, suas tias tentaram explicar que ele era uma estrelinha e você: "a estrelinha caiu, cadê ele?". Saí para fora da casa aos prantos, sem saber como reagir ou o que te falar. Você o quer aqui meu amor, também queria, também não entendo e me culpo por não saber lidar com tudo por você. Me pergunto como você pode com 2 anos questionar tanto e me pegar sem reação. Me falaram para fazer terapia, te levar, mas tão pequena...não sei resolver.

Nos dias em que esteve na casa da Tia Bela continuou disputando o seu tio com a sua prima, dizendo que era 'seu papai', expliquei várias vezes que era seu tio. Mas acredito que era uma forma de você perceber que ela tinha e você não. Talvez um exagero meu, novamente não tenho certeza de nada.

Segundo Dia dos pais e pronto, novamente o sofrimento bate na minha cara, fico como sempre sem reagir. Te busco na escolinha e você me conta que fez um desenho para o papai, aí é que lembro da data comemorativa. Respondi que você vai dar para o seu padrinho (ideia da sua tia Dedéia que fiquei feliz), mas você em seguida me interrompe dizendo: "Miguel". Entendi. Sim, o seu padrinho é pai do Miguel, não é o seu. E será que você tão pequena a escola não poderia ter me avisado da atividade? Me preparar ou eu poder escolher se você iria no dia? Se é adiar, se é você ter que se acostumar não sei, mas queria escolher, pensar. Ainda veio um bilhete na agenda (igual no ano passado) para comprar um presente, mandar foto do pai! 

Gostaria que não fosse assim, que você não precisasse passar por isso. Mãe quer evitar o sofrimento do filho, quero que no futuro você seja forte e não tenha sequelas desta ausência. Hoje você brigou comigo, disse que não sou sua amiga, falei para não dizer isto. Mais tarde me abraçou na cozinha e te peguei no colo, falei bem baixinho que te amava, que sempre estaria do seu lado, que mesmo quando brigo é porque cuido de você, faço tudo o que posso e que meu amor era enorme. Você não entende? Me apertou forte pela cintura e ficamos abraçadas. Ah meu amor, como te amo, como sempre lutei por você, para nascer, para ter saúde, nas doenças e agora vou na vida, tudo o que precisar. Sim, não vou aceitar mais dizerem nada, só eu posso dizer se tem defeitos, e tem, mãe não gosta que falem dos filhos. Você é minha herança e te falo que é o melhor presente que papai do céu poderia me dar!

2 de dezembro de 2013

Papai?

Três meses se passaram, estou em casa com você que parece outra criança, agora brinca, não chora tanto pedindo colo. Li um artigo de uma psicóloga que fala do sentimento de abandono que alguns bebês sentem quando são deixados antes dos 3 anos em escolinhas. No início não reclamam porque não sabem, só os resta aceitar e achamos que estão adaptados, mas basta crescerem um pouquinho para demonstrarem a insatisfação. Achei que você ‘gostava’ da escolinha, mas chegava em casa não queria sair de perto de mim, gritava, chorava, só queria ficar no colo, quase enlouqueci e ficava sem entender. Neste momento foi a decisão certa.
Nestes meses cuidei de você, que não adoeceu e isso já é uma vitória, o pediatra disse que não podia ter mais recaídas. Agora dorme bem a tarde, brinca, me abraça, ganho beijos, vamos na pracinha, parque e fico feliz com cada sorriso seu. Às vezes me pego pensando se algum dia verei o seu pai, se ele sabe o tanto que você é linda, em outras duvido de tudo. Você também o chama. Semana passada você estava sentada no sofá e me perguntou 2, 3 vezes: - ‘papai?’. Sentei perto e você repetiu, não pude te deixar sem uma resposta: - ‘Seu papai é uma estrelinha lá no céu’. Não sei se me viu emocionada, mas me abraçou e ficamos ali naquele abraço um bom tempo. Me pergunto sim, como pode com 2 anos fazer esses questionamentos. E para a minha maior surpresa, no outro dia eu estava no quarto e você passou em frente a porta dizendo bem alto: - ‘papai no céu’. Fiquei ali, sentada, tentando absorver tudo, ser forte e peço a Deus para me dar forças e sabedoria. Nesta semana sua disputa foi com a Isadora, sua prima, ela chamava o pai: 'papai!' e você respondia: 'meu papai', ela lógico, não gostou e gritava: 'é meu papai'. Confesso que fiquei sem saber o que fazer, só respondi que ele é o seu tio.
Você ainda não gosta de lavar o cabelo, grita, chora, já não sei mais o que fazer. Para piorar, você começou a gritar bem alto ‘papaaaai’ pedindo ajuda, às vezes é por sua vó que você chama. Os seus gritos porque não quer lavar o cabelo e você chamando por ele, fico fora de mim. Ainda não entendo também se é imitação dos coleguinhas da escolinha que gritam ‘papai’ ou se realmente entende tanto. Só respondo ‘mamãe está aqui’ e você entende, brincando com suas bonecas repete ‘mamãe qui’.
 
Vou acertar e vou errar, mas sempre querendo o melhor para você, espero que aprenda a dar valor ao que tem, a ser feliz (felicidade não é algo contínuo, mas momentos e que os valorize). Tenha certeza que estarei sempre ao seu lado. Muita coisa acontece na vida, ela muda a todo instante, você vai crescer, questionar ou reclamar como todo adolescente, mas o amor de mãe é para sempre!
 

25 de agosto de 2013

Decisão difícil e alegrias simples

Como sempre me pego pensando em te escrever, te contar alguma coisa mas a correria faz o tempo passar e me esqueço. Você está cada vez mais linda, brava, geniosa igual a mãe e teimosa igual a ele... E não gosta até hoje de cobertor. Alguns dias de julho e agosto fez muito frio, levantei para te cobrir e é incrível como bate o pé na hora e tira tudo, igualzinho. Às vezes me pego pensando no que você se parece fisicamente com ele, muitos dizem que puxou mesmo a minha família, mas penso nestas horas que Deus sabia que o meu sofrimento seria maior, olhar para você sendo xerox dele seria sempre difícil.

Sabe a foto que sempre te conto que você aponta? É a foto que a tia Bela deu, você apontou na última vez e disse 'papai meu', falei que sim e você repetiu. Te respondi que era, que você tinha papai e que ele é o seu que te amou e que eu estou aqui e te amo. Foi tão difícil nessa hora, chorei, mas também segurei para você não perceber. Seu 1o Dia dos pais na escolinha não veio bilhete. Mas no domingo em que se comemora teve alguém que me perguntou: e o pai da Aline? Respondi sem rodeios e sai de cena firme, tranquila, pensei eu. Poucos minutos as lágrimas vieram, pedi perdão mesmo com raiva porque ele não está aqui, mas quem sou eu para questionar ou pedir explicações a Deus, tenho que aceitar, não perguntar mais o por que e dar glórias por eu ter você.

Os últimos 6 meses foram corridos, tentei voltar a trabalhar mas não deu, ver você chorando sem querer ficar na escolinha, sem querer dormir ou almoçar lá, te deixando com febre e indo com o coração apertado trabalhar, ficar sem dormir quando você adoecia, te tirando do berço dormindo para sairmos porque deu a hora, sabendo que estava largada, chegando vermelha e com marca de sol no braço, me demiti. Quando escutei um dia em uma pregação: "quem está criando o seu filho, você ou a escolinha?" me doeu, sofri. Aí em seguida o pediatra me fala que você está tendo muita recaída e que precisa se alimentar melhor por causa da curva de crescimento, não tive dúvidas. Além da minha exaustão da rotina pesada e os problemas que todo trabalho tem, tomei a decisão certa. Porque você como qualquer criança pequena não quer carro novo, festa de aniversário, dinheiro, mas sim se sentir protegida, cuidada, tendo a presença da mãe tão importante e necessária nos primeiros anos. E você novamente estava sendo a mais prejudicada.

Você foi muito desejada, planejada, o único filho que terei e como não cuidar e educar? Educar é tão difícil, me sinto perdida em vários momentos. Você chegou alguns dias me batendo e falando 'feia', com certeza viu alguma criança agindo assim, jogando as coisas no chão, mandando eu pegar, dando ordens. Não cedi. Uma noite deixei você chorar por minutos quando me mandou pegar o bico que você mesma jogou e que estava do seu lado, sentei no chão, olhei na altura dos seus olhos e expliquei. Você continuou, chorou muito, ficou brava, mas no final pegou, me abraçou e falei para pedir desculpas, você pediu... e não fez mais. Hoje aqui me viu calada, fiz cara de brava e você veio e fez carinho na minha bochecha, nestes minutos preciosos me derreto. Outra noite, dentro da sua casinha de bonecas fingi que estava chorando pela 1a vez na sua frente e você falou: "chora não mamãe, chora não".... Esta semana em casa estava cozinhando, você correu, pegou suas panelinhas e sentou na cozinha do meu lado... ah, estes minutinhos não quero me esquecer nunca e registro aqui para sempre lembrar! 

10 de maio de 2013

Dia das mães e papai?

Quanto tempo não escrevo para você, é tão corrido. Tenho que esperar você dormir para descer e pegar as compras no carro ou tomar banho. Mas vendo você tão esperta e linda sei que tudo valeu e vale a pena, tirando as suas cólicas, pirraças e gritos, mas fazem parte do pacote! E você é o 'pacotinho da mamãe', é assim que te chamo quando está toda embrulhada dentro da toalha depois do banho.
 
Queria te contar o que também não poderia imaginar de passar com você, mas como sua tia Mariana diz, tenho que me preparar para o que vem depois, como ouvir você perguntando porque seu pai não está aqui, Dia dos Pais na escolinha.... Bom, um dia, atravessando a rua em frente de casa, você com 1 ano e meio, falou: 'papai?', como uma pergunta. Não respondi, aí você repetiu mais uma três vezes e respondi com um nó na garganta que ele não está aqui, mas que mamãe estava. Achei que tinha passado, aí em casa, dias depois, perguntou de novo: 'papai?'. Peguei o porta retrato e mostrei ele para você, expliquei que era seu papai e mamãe ao lado na foto. Você apontou e repetiu: 'papai'. Imaginei que era porque você ouviu na escolinha seus amiguinhos chamando pelos pais. Poucos dias depois foi o aniversário da sua avó Vera, mãe do seu pai, fomos lá e você dentro do quarto perguntou de novo: 'papai?', umas duas vezes e te expliquei novamente. Agora, quando você pega o porta retrato já não pergunta, aponta e fala 'papai e mamãe'. Fico sem reação, confirmo.
 
Domingo agora é Dia das mães, recebi na agenda da escolinha um bilhete enorme escrito que não era para a mamãe ler, só o papai, que era segredo. O recado era para a comemoração do dia das Mães. Respondi na agenda que seu 'papai' não era presente e que eu não iria participar. Achei deselegante, eles sabem, mas isso vai ocorrer outras inúmeras vezes, porque tudo é padronizado em todo lugar, mandam para todos e pronto. Mas o mês de maio é difícil não só devido ao Dia das Mães sem ele, mas por fazer mais um ano sem a sua presença. Ainda o vejo perto, lembro, não percebo que já se passou tanto tempo assim.... E na hora da saudade, tento não ser egoísta e pensar que você perdeu mais, que precisa de mim forte e ao seu lado. Te amo muito! sempre...
 
 

6 de janeiro de 2013

Feliz ano novo!

Fiquei vários dias pensando em te escrever, mas não dá tempo, a noite já estou tão cansada que o raciocínio não ajuda a escrever. E o Ano novo chegou, 2013, fico pensando como vai ser e peço a Deus para você ter sempre saúde

Estou aflita para voltar a trabalhar, penso como é difícil conciliar horário, trânsito, escolinha, empresa que não quer mãe com filho pequeno, ficar o dia fora, quase enlouqueço. Mas saiba que durante 1 ano e 3 meses vivi para você, pensei em tudo o que é melhor para você e se algum dia quando estiver maiorzinha achar que não ligo para você (adolescente tem dessas coisas :0), saiba que não, você sempre vai ser meu motivo maior, mesmo que me perca nas decisões, em algumas escolhas.

Você está tão linda, o meu amor cresce a cada dia e fico com medo de estar te mimando. Mas ao mesmo tempo acho que te deixo explorar, tentar, você é independente também, quer fazer tudo sozinha, correr sem segurar minha mão, subir escadas, escovar os dentes, subir no sofá (levei um susto quando vi que subiu sozinha essa semana e estava sentadinha, brincando).

Brincando também deu comidinha para o seu papai. Na hora não sabia se ria ou chorava, você chegou pertinho do porta retrato, falou um 'grego', pegou a colherzinha de brinquedo e pos na boca dele. Ainda sinto por estarmos sozinhas, por ele não estar aqui, penso como seria sua personalidade com ele e agora sem, espero mesmo que seja independente, madura emocionalmente e forte, porque a vida é tão difícil, nunca entendemos as pessoas, não espere muito delas, mas seja carinhosa para ter perto quem você ama. A sua geração não consigo pensar como vai ser, se mais consumista, com pessoas mais distantes, calculistas, interesseiras, com certeza mais tecnológica. E talvez algo mude o caminho...

Se não mudar, não vá contra o seu coração, contra o que acredita e tenha sempre fé em Deus, só ele é a resposta. Feliz Ano novo meu amor, te amo tanto, ainda te beijo na bochecha sem parar...